domingo, 23 de novembro de 2008

Liberdade

Muita gente diz que liberdade é fazer o que queremos e sermos nós próprios.
Até um certo ponto acho que tem razão. Mas vamos lá ver, nós, todas as pessoas vivas, somos influenciadas pela cultura e pelo meio em que vivemos, logo sermos nós próprios é algo que é influenciado por pessoas que lidam connosco no dia-a-dia.
Se somos influenciados, aquilo que mostramos é realmente o nosso “eu” verdadeiro? Ou um “eu” que se adapta a realidade em que vivemos? E se temos que nos adaptar à realidade em que vivemos será que somos realmente livres? O único instinto que todo o ser humano tem em comum, é o sentido de liberdade, todos querem ser livres, no entanto, a meu ver, nenhum foi verdadeiramente capaz de explicar o sentido de ser livre.
Ser livre não é uma verdade universal, ser livre é algo que o ser humano precisa de acreditar para ser capaz de viver funcionalmente numa sociedade.
Comparo a liberdade a um “mito”, todos acreditam que existe, já todos ouviram falar dela, mas nenhum de nós é verdadeiramente livre, pelo simples facto de sermos todos actores no palco da Vida, temos que nos submeter a regras, a ideias, temos que ser peças de xadrez numa sociedade onde nos dão a ideia de liberdade, para sentirmos que temos algum controlo.


Digam o que pensam sobre o assunto. Sentem-se realmente livres?

4 comentários:

Pedro Costa disse...

É um tema complexo e interessante, mas acho que estás também a levar a um extremo.

As regras da sociedade não são impostas, podes-te opôr apesar de seres provavelmente marginalizada. Mas também tens a hipotese de te tentares inserir num grupo social onde te sentes "tu" (não és marginalizada porque o grupo é como tu, normalmente é a familia e grupo de amigos proximos).

Por outro lado tens as regras judiciais, essas sim impostas, mas para o bem comum da sociedade.

Se considerarmos a lei um entrave à liberdade, então só uma anárquia é a verdadeira liberdade, mas a tua liberdade pode destruir a liberdade de outro neste estado. Ou seja no final, se quisermos ser puristas na questão, não existe liberdade. O conceito é impossivel. Uma vez que tanto a sociedade como o ambiente, coloca entraves à liberdade.

A meu ver isto é um extremo e a verdadeira liberdade não se trata disso. A liberdade é mais um sentido. É quando não precisas de fingir. "O que eu penso é o que eu falo" (como a música dos Yellow W Van) e consegues ser feliz assim. Isto sem transpor as regras judiciais para o bem comum. Apesar do português ter a ideia que as leis não são para cumprir mas para as contornar...por isso é que isto não anda para frente. No fundo o português gosta da anarquia, mas se lá estivesse queixava-se.

Depois ainda podemos analisar a forma como algumas estruturas das sociedades modernas e do capitalismo nos podem restringir a liberdade. Há quem diga que continuamos quase todos escravos. E as correntes e chicote de hoje, são o dinheiro (Apesar de ainda existir escravatura no sentido clássico).

Mas já chega de me estender no comentário. se não ninguém lê isto :P

PS: Sim, sinto-me livre :D

xandinha disse...

A ideia era levar ao extremo. Falei com algumas pessoas e a resposta que me davam era sempre a mesma, com outras palavras é certo, no entanto o conteudo era o mesmo; "sou livre porque faço o que quero..."

Tens razão as regras da sociedade não são impostas, e podes muito bem fazer o oposto daquilo que é considerado socialmente aceitavel, no entanto, se te inseres num grupo social que tem as mesmas ou semelhantes ideias, tens de novo as "regras" desse grupo. E não sei se serão assim tantas as pessoas que se sentem elas próprias, as vezes falta de confiança ou auto-estima, "obriga-os" a "copiarem" tendencias, ideias, modas e afins...
Uma das minhas frases preferidas é: "Nascemos originais, morremos fotocopias...", secalhar tem algum fundamento...
Vendo por este lado a unica forma de seres livre seria sendo um marginal, o que também te prende à solidão.

Claro que não considero que as leis judiciais são um entrave, embora veja poucas a serem obdecidas/seguidas, sendo o ser humano um ser imperfeito o sistema de "justiça" nunca será perfeito ( parece que tou ligeiramente a baralhar, mas estou certa, ou quase certa, que entendes o que quero dizer...)

E sim tens de novo razão, muito gostas tu de ter razão, a liberdade é um sentido, mas acredito que poucos sentem essa liberdade de que falas, e ainda menos, essa felicidade.

Escravatura nunca será abolida, enquanto o homem for homem haverá escravatura. Alem do mais, se tudo tem que ter um oposto, que seria da liberdade se não houvesse o seu oposto?

Anónimo disse...

Bem... por acaso calha bem que acabei de vir de um concerto de Mão Morta, onde acabaram com o "Anarquista Duval", e ando a ler o 1984, do George Orwell.

A liberdade é, tal como a entendemos, um conceito abstracto com limitações impostas pela nossa própria experiência, um pouco à semelhança da diferença entre o conceito perene de justiça, e a nossa percepção de justiça, traduzida na lei que seguimos.

Posto isto, a perseguição da liberdade absoluta levaria ao isolamento de cada indivíduo, naquilo que Nietzche caracterizou como o Super-Homem... mas que na prática não é persecutível visto que o homem é por natureza um animal de hábitos e relações sociais.

A ilusão de liberdade, algo tão próximo e satisfatório quanto alguma vez podemos abraçar, passa por vivermos de acordo com os padrões que impomos (já influenciados pela sociedade), a nós próprios.

Daniel C.da Silva disse...

muito bom...